Pesca Destrutiva Destrói Fundos Marinhos?
Descubra como métodos de pesca como o arrasto e a pesca com palangre impactam ecossistemas marinhos e o que podemos fazer para proteger a vida marinha.

Sim, métodos de pesca como o arrasto de fundo causam danos severos aos ecossistemas marinhos. O arrasto, em particular, utiliza redes pesadas puxadas pelo fundo do oceano, triturando corais, esponjas e outros organismos que formam habitats essenciais. Essa destruição compromete a biodiversidade e a capacidade do oceano de sustentar a vida marinha, afetando diretamente a segurança alimentar de comunidades costeiras em Portugal, Brasil e África Lusófona, onde a pesca é uma fonte vital de alimento e sustento.
O que é o arrasto de fundo e por que é tão prejudicial?
O arrasto de fundo é uma técnica de pesca industrial que envolve o uso de redes com pesos e portas metálicas arrastadas pelo leito marinho. O objetivo é capturar peixes demersais (que vivem perto do fundo), como a pescada ou o bacalhau. No entanto, a passagem dessas redes é devastadora: esmagam e arrancam corais de águas profundas, esponjas e outras estruturas que levam décadas ou séculos para crescer, destruindo habitats que servem de refúgio e alimento para inúmeras espécies. Um estudo de 2021 publicado na Nature estimou que cerca de 25% dos fundos marinhos foram impactados por esta prática.
Impactos na biodiversidade e no ciclo do carbono
A destruição de habitats pelo arrasto de fundo não afeta apenas os organismos que vivem no fundo. Ela desencadeia um efeito dominó em toda a cadeia alimentar marinha. Espécies que dependem desses habitats para se reproduzir ou se alimentar diminuem drasticamente. Além disso, o revolvimento do sedimento libera grandes quantidades de carbono que estavam armazenadas no fundo do mar, contribuindo para as emissões de gases de efeito estufa. Uma pesquisa de 2022 do Global Carbon Project sugere que a pesca pode ser responsável por uma parcela significativa das emissões subaquáticas de carbono.
Emissões de Carbono Associadas a Métodos de Pesca
Estimativas baseadas em dados de Our World in Data e estudos correlacionados (2023).
A pesca com palangre: Uma ameaça silenciosa?
Embora o arrasto de fundo seja frequentemente o foco, a pesca com palangre também apresenta sérios problemas. Esta técnica utiliza longas linhas com milhares de anzóis. Embora menos destrutiva para o fundo do mar em comparação com o arrasto, o palangre é conhecido pela sua alta taxa de captura de espécies não-alvo, incluindo tartarugas marinhas, aves marinhas e tubarões. A mortalidade destas espécies, muitas das quais estão ameaçadas, é uma preocupação crescente para a conservação marinha. Relatórios da FAO indicam que a captura acidental é um desafio global significativo.

O impacto nas comunidades costeiras e na segurança alimentar
Para muitas comunidades em Portugal, Brasil e África Lusófona, o oceano é a despensa e o sustento. A pesca artesanal, utilizando métodos mais tradicionais e menos impactantes, é a espinha dorsal destas economias. No entanto, a pressão das frotas industriais que utilizam técnicas destrutivas compete pelos mesmos recursos, muitas vezes esgotando os estoques pesqueiros. A degradação dos ecossistemas marinhos a longo prazo ameaça a própria viabilidade da pesca, impactando a disponibilidade de peixe fresco e a segurança alimentar dessas populações. A substituição de peixe por fontes de proteína vegetal, como leguminosas e grãos, torna-se uma alternativa cada vez mais relevante e sustentável.
“A saúde dos nossos oceanos está intrinsecamente ligada à nossa própria saúde e ao nosso futuro.”
Alternativas e Soluções Sustentáveis
- **Pesca de arrasto de pelágico:** Usa redes arrastadas na coluna de água, não no fundo.
- **Redes de emalhar:** Capturam peixes com base no seu tamanho, minimizando capturas acidentais.
- **Pesca com linha e anzol:** Método seletivo quando bem gerido.
- **Aquacultura sustentável:** Criação de peixes e mariscos em ambientes controlados e com baixo impacto.
- **Gestão pesqueira baseada em ecossistemas:** Considera todos os componentes do ecossistema, não apenas estoques pesqueiros.
O papel do consumidor e das políticas públicas
A escolha do consumidor tem um poder significativo. Optar por peixe certificado como sustentável ou reduzir o consumo de espécies cujos métodos de captura são conhecidos por serem destrutivos pode fazer a diferença. No Brasil, por exemplo, a pesca em rios e lagos, com o uso de técnicas tradicionais, ainda é predominante em muitas comunidades ribeirinhas. Apoiar estas iniciativas locais e a produção de alimentos de origem vegetal, como a feijoada rica em feijão ou o moqueca de palmito, fortalece economias locais e dietas mais sustentáveis. Políticas públicas que incentivem a adoção de práticas de pesca sustentáveis, criem áreas marinhas protegidas e fiscalizem o cumprimento das leis são cruciais para a recuperação dos nossos oceanos.

O futuro dos nossos oceanos e da nossa alimentação
A saúde dos oceanos é um indicador da saúde do planeta. A pesca destrutiva é uma ameaça que exige atenção imediata. Ao compreendermos os impactos de métodos como o arrasto e o palangre, e ao apoiarmos ativamente alternativas sustentáveis, podemos ajudar a proteger a vida marinha e garantir um futuro alimentar mais seguro e resiliente para todos. A transição para dietas mais baseadas em plantas, ricas em leguminosas e vegetais regionais, é um passo poderoso na direção certa, aliviando a pressão sobre os ecossistemas marinhos e terrestres.
Perguntas Frequentes sobre Pesca e Fundos Marinhos
Perguntas frequentes
O arrasto de fundo é permitido em Portugal e no Brasil?
Quais são os substitutos mais saudáveis para o peixe na dieta?
Como posso saber se o peixe que compro é de pesca sustentável?
O palangre pode danificar o fundo do mar?
De que forma a pesca artesanal contribui para a sustentabilidade?
Fontes e leituras
- Nature — Nature (nature.com)
- IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) — IPCC (ipcc.ch)
- Global Carbon Project — Global Carbon Project (globalcarbonproject.org)
- FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) — FAO (fao.org)
- EAT-Lancet Commission — EAT-Lancet Commission (eatforum.org)
- Our World in Data — Our World in Data (ourworldindata.org)