A questão do metanoPorque é que esta é a alavanca climática mais rápida que temos.
Bovinos, ovinos e caprinos são grandes fontes de metano, um gás de efeito de estufa cerca de 80 vezes mais potente que o CO₂ numa janela de 20 anos. Também se decompõe mais rapidamente do que o CO₂ — o que significa que cada quilograma de metano que deixamos de emitir hoje se traduz num arrefecimento rápido, não num arrefecimento lento daqui a décadas.
Isso faz da redução da agropecuária uma das únicas intervenções climáticas que compensa nesta década, não na segunda metade do século. É a rara alavanca em que o pessoal e o planetário apontam na mesma direção, imediatamente.
Oceanos e aquiculturaO que o sistema alimentar faz abaixo da linha d'água.
O escoamento agrícola — principalmente nitrogênio e fósforo de fertilizantes usados em culturas forrageiras — flui para rios e, finalmente, para os oceanos costeiros, onde causa a eutrofização: crescimento explosivo de algas que esgota o oxigênio e cria zonas mortas. Atualmente, existem mais de 400 zonas mortas oceânicas documentadas globalmente, a maior cobrindo aproximadamente 70.000 km² na foz do rio Mississippi. Essas zonas estão se expandindo à medida que a produção de culturas forrageiras cresce.
A aquicultura — criação de peixes e frutos do mar — foi promovida por muito tempo como uma solução para a sobrepesca. Em algumas formas, pode ser. Mas a criação intensiva de salmão e atum requer grandes quantidades de 'peixes forrageiros' selvagens como alimento — o que significa que a produção de salmão de viveiro impulsiona a mesma sobrepesca que deveria substituir. As gaiolas marinhas também concentram resíduos e doenças em águas costeiras, prejudicando as populações de peixes selvagens adjacentes. Os sistemas de aquicultura com melhor desempenho são de mariscos e algas marinhas, que não exigem insumos de alimentação e podem melhorar a qualidade da água.